A guerra das empresas aéreas
Todas
as demais empresas passam seus dias tentando corresponder às expectativas de
seus clientes, conquistar novos, e defenderem-se de eventuais ataques dos
concorrentes. As empresas aéreas fazem isso, e muito mais.
Passam
parcela expressiva das horas, dias, semanas, meses e anos, defendendo-se da
avalanche de processos na Justiça. Não existe nenhum outro país do mundo onde
os serviços aéreos sejam monumentalmente levados à Justiça como no Brasil.
E
com a pandemia, com os cancelamentos recorrentes de voos, as estatísticas,
enquanto os aviões permaneciam estacionados em terra, foram, literalmente, para
o espaço!
Além
da queda descomunal na demanda, e em decorrência da pandemia nos últimos dois
anos, as três empresas aéreas brasileiras defendem-se nos tribunais do país de
– sentado? – 216 mil processos, decorrentes das ações que ingressaram na
justiça exclusivamente em 2020 e 2021. Mais de 100 mil a cada novo ano…
Anos
atrás o Brasil tinha advogados de plantão nas imediações das carceragens. Os
mais que conhecidos e famosos advogados de porta de cadeia. Hoje tem mais
advogados nos saguões e terminais dos aeroportos do que na porta das cadeias e
da Justiça.
Em
declarações ao jornal Valor, Eduardo Sanovicz, presidente da Abear – Associação
Brasileira das Empresas Aéreas, disse “O desafio que temos não está ligado a
pandemia, mas ao ambiente legal brasileiro…”.
Segundo
Eduardo, hoje existem no Brasil mais de 30 sites de escritórios de advocacia
que compram o direito dos passageiros em processos, oferecendo os serviços de
defesa em troca de um percentual… E as milhares de espadas com que acordam,
todos os dias, as três empresas aéreas brasileiras, segundo o Eduardo,
“Dados
do Instituto Brasileiro do Direito Aeronáutico revelam, 98,5% das ações civis
do setor aeronáutico em todo o mundo, tramitam no Brasil. Em todos os demais
países, 1,5%. No Brasil, 98,5%”.
Conclusão,
os balanços das empresas aéreas brasileiras têm, como destaque, na rubrica
provisão para processos judiciais, um valor absurdo. Na média das três
empresas, cada uma vem trabalhando com uma provisão anual de R$200 milhões…
Esse
é o Brasil. E esse é o desvario de se ter uma empresa aérea em nosso país.
Se
nos demais países não é fácil, no Brasil, as chances de sucesso, e ainda assim
por um período de tempo, é de no máximo, exagerando, 5%.
Mas,
volta e meia têm novos malucos empreendendo no território…