
Apartheid Educacional
Como temos comentado com vocês, hoje, um dos melhores analistas e estudiosos da cena brasileira é Fernando Luis Schüler. Professor, articulista, consultor, doutor em filosofia e mestre em ciências políticas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Escreve pequenos ensaios todas as semanas para a revista Veja, leitura obrigatória de muitos brasileiros. Na edição de semanas atrás fala sobre o Apartheid Educacional. Talvez o maior desafio que nosso país enfrenta hoje, e que se não resolvido condena o Brasil ao perpetuar das chamadas desigualdades.
Fernando contextualiza o Apartheid Educacional.
“Nos últimos tempos convivi com famílias escolhendo a escola dos filhos. É uma maratona. Colégio laico ou confessional? Escola com pátio grande? Bilingue? Colégio que ensina por projetos, ou do jeito tradicional?
No fim se mistura tudo, comparando-se os rankings, o preço, a distância de casa, e toma-se a decisão. É um mundo incrível feito de expectativas sobre o futuro e um discreto orgulho. Com um pequeno problema: ele só funciona para 16% das crianças do Brasil. Os outros 84% vão para escola pelo CEP. Por ideologia, pressão corporativa, ou pela simples omissão da sociedade, decidimos o seguinte: faremos um país separando as crianças e dois mundos, pelo critério de renda. É um tipo de Apartheid Educacional com o qual nos acostumamos a conviver…”.
É isso, amigos.
Esse é o olho do furacão, o ovo da serpente, o nó górdio, o pomo de Adão, o calcanhar de Aquiles do futuro de nosso país, da Construção de um Novo e Moderno Brasil.
Ou desatamos esse nó, contemos o furacão, goramos o ovo da serpente, protegemos o pomo de Adão, e blindamos o calcanhar de Aquiles de nosso adorado país, ou não chegaremos a canto algum.
O resgate do Brasil começa, indiscutivelmente, pelo fim do Apartheid na Educação, e pela semente da Justiça Social a partir da primeira escola.
Nada mais urgente!